terça-feira, 19 de maio de 2009

Obras quase completas

Hoje vinha de regresso a casa como habitualmente no meu transporte de eleição, quando de repente me começaram a surgir versos vindos do nada... surgiam leve, levemente, como quem surge diante de mim. Seria chuva? Seria gente? Gente não seria certamente.. que a gente não surge assim. Vai daí fechei os olhos. E desse feito pouparam-se estes capítulos que convosco partilho:
  • Capítulo primeiro
Ó Marinhais, Marinhais
Ó terra de gente boa
Não será por acaso
Que vem gente de Lisboa
  • Capítulo segundo
Viajam num autocarro
Que de tão fantástico ser
Até o chamam de fantasma
Custou muito a aparecer
  • Capítulo terceiro
É comerete e beberete
É tudo gente animada
Só faltava o de Coruche
P’ra matar a bicharada
  • Capítulo quarto
O de Coruche e Alentejo
Já mataram um javali
Vêm ao Ribatejo
Fazer tamanho rali
  • Capítulo quinto
O Hélder e a Lina
É o casal sensação
Um diz mata outro esfola
Que unidos que eles são
  • Capítulo sexto
As Susanas, ali vão elas
A correr atrás do pica
Logo atrás a Gabriela
Ai que bem que tudo fica
  • Capítulo sétimo
Olha a menina Cacilda
Que ao pica vai batendo
Diz que sai na Azambuja
Quando vai sair no Reguengo
  • Capítulo oitavo
{NB: esta secção perdeu-se irremediavelmente aquando de um terrível e inesperado naufráfio.
O bravo poeta ainda tentou salvar a obra nadando apenas com um dos braços (o mais forte), mas infelizmente a oitava página já se tinha no salgado e tempestuoso mar para todo o sempre perdido}
  • Capítulo nono
Já faltava a Irene
A correr ver o milhões
Diz que vê, Diz que vê
Logo causa confusões
  • Capítulo décimo
Olha o Jorge e o Cardoso
Os Intelectuais da Viajem
Um feliz na reforma
Outro prepara a bagagem
  • Capítulo décimo primeiro
A Céu e o João
Com o trólei e a cadela
Que cúmplices que eles são
Comem na mesma panela
  • Capítulo décimo segundo
Pelos corredores do comboio
Vem o Félix a correr
De certeza vem o pica
Que havemos de fazer
  • Capítulo décimo terceiro
Ao Zé é temporário
O que está acontecer
Depressa vai ter horário
Tudo se vai resolver
  • Capítulo décimo quarto
Existe outro casal
Que anda sempre perdido
Ele perde a mulher
Ela perde o marido
  • Capítulo décimo quinto
Tira os óculos põe os óculos
Sempre que o Manel quiser
Diz ele para a Susana
Que beleza de mulher
  • Capítulo décimo sexto
Qual beleza de mulher
Qual pantera cor de rosa
O Manel está encantado
Até já lhe fez uma prosa
  • Capítulo décimo sétimo
A Vera é aquela
Que connosco está a aprender
Umas vezes foge do pica
Outras quer aparecer
  • Capítulo décimo oitavo
O Bagulho é o repolho
Homem bem comportado
Não foge ao pica o zarolho
Tem todo o passe comprado
  • Capítulo décimo nono
Não podia deixar passar
Os condutores fantasminhas
Uns felizes pepes rápidos
Outros andam com calminha
  • Capítulo vigésimo
Vou só falar do manel
É o condutor aprumado
Ou nos faz as vontades
Ou então está lixado
  • Capítulo vigésimo primeiro
E os outros que já foram
Como o Pedro e outros mais
Já não estão no fantasminha
Mas fizeram parte dos tais
  • Capítulo vigésimo segundo
Peço imensa desculpa
Se me esqueci de alguém
Para a próxima é lembrado
O que vem, vem por bem


Antes de mais, obrigado pela atenção dispendida na leitura deste fantástico trecho literário :)

Há no entanto três notas a acrescentar:
a) na realidade esta obra (quase completa) não surgiu do nada nem foi da minha autoria.
O crédito é sim de uma das personagens fictícias da obra, Grabriela - que, devido a razões técnicas quase viu assim a obra a ser plagiada. :D

b) as personagens e situações na obra mencionadas são puramente fictícias. Toda e qualquer semelhança com a realidade será mera coincidência.

c) afinal o poeta nadava mesmo muito bem e salvou a obra completa - só que a página oito demorou mais tempo a secar e só deu para perceber os gatafunhos um cadito mais tarde.
Aqui segue então o resto da obra:
  • Capítulo oitavo
O Luís o Caladinho
Vai mordendo pela calada
Dá no cravo e na ferradura
Põe a Soraya lixada

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